Archive for Julho, 2009

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livros para todo o ano #16

30 de Julho de 2009

Les Fleurs du Mal, Charles Baudelaire

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Da Cidade e das Serras, parte II

29 de Julho de 2009

Não deixo o despertador tocar, a primeira noite é sempre mal dormida. São oito horas da manhã do primeiro dia do Curso Internacional de Verão promovido pela FEQ. Saio, ainda a medo, ainda em nervos, da cama. Da porta do meu quarto, este é o cenário.

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E sinto-me em casa, ou quase. Este é, também, o rio que passa na minha aldeia.

Subo à casa principal onde o pequeno-almoço me espera. Só nesta altura consigo ver claramente vistos os rostos dos meus colegas de curso. Ensonados muitos mas não todos: há-os, os que estão despertos. A esta hora, ainda são vagas e curtas, amedrontadas as palavras. Por entre a cevada e a cavaca de Resende, há tempo para um bocejo discreto e um olhar mais curioso. Eles são de muitas idades e feitios, se isto pensei, tal pensaram eles também. Alguns, já mais próximos,  conversavam com mais vontade e à-vontade. Era hora de partir para Tormes.

Mal tive tempo de observar a fachada da casa senhorial da Quinta da Vila Nova. Assim que descemos do autocarro que nos transportou da Ermida para a Fundação Eça de Queiroz, fomos conduzidos ao pequeno auditório onde já nos esperava a professora Doutora Isabel Pires de Lima, coordenadora científica e uma das três professoras encarregues dos seminários deste ano. Houve tempo, é claro, para as apresentações tradicionais. Qual aula do ensino básico, um a um, pela sala fora, saíram nomes e ocupações. Endireito-me na cadeira demasiado pequena para o meu tamanho e não sem um ligeiro tremor inicial na voz digo ser «Tiago Garcia, aluno da licenciatura em Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras da Universidade do Porto» e volto a encolher-me porque à minha volta só parecia haver licenciados, mestrandos, mestres, doutorandos e doutores e, de repente, um homem com metro e noventa sente-se uma criança novamente. Cada vez se torna mais claro, para mim, que não gosto de apresentações.

As duas sessões da manhã ficaram a cargo da prof. Isabel Pires de Lima. Começamos a meio-gás, digo, com uma pequena biografia do grande homem, as suas principais influências e o seu percurso bibliográfico. Pelo meio, a pausa para o café que as minhas pálpebras já desejavam, e mais meia hora em que a conversa se foi naturalizando, como Jacinto após a primeira noite em Tormes.

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Depois de almoço (do qual a única coisa que me recordo é que era acompanhado de um belo vinho de Tormes) conhecemos a professora Doutora Izabel Margato. E agora me lembro que me esqueci de referir que todo o curso se centrava sobre a modernidade em Eça de Queirós. Isto porque o seminário da professora Isabel foi dedicado à modernidade, alertando-nos para os sinais que dela deviamos procurar na obra queirosiana. Fala-se na dessacralização do poeta, na valorização do homem comum, na rua como cenário ideal e na viagem como exemplo da transformação pela modernidade. E logo me lembro de Fradique Mendes, de A Cidade e as Serras, e de Teodorico Raposo que não vai para descobrir a Palestina mas para a gozar. E assim foram os primeiros seminários.

E só no final desta tarde tive oportunidade de olhar com atenção a casa principal, sede da Fundação. Ainda agora a vejo, sem recorrer a auxiliares fotográficos, imponente, coberta de verde e granito e história e literatura. O átrio, lajeado a blocos de granito, parece pequeno e a entrada ainda mais diminuta – nesta altura ainda não me sabia enganado.

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Chegados, de novo, à Quinta da Ermida, o sol ia ainda alto. Estava ainda calor suficiente para descer à piscina da Quinta, junto ao Douro. Ninguém consegue manter a seriedade em calções e cedo o gelo inicial se derrete. Houve até oportunidade para uma pequena competição internacional de natação: alinhavam três portugueses, um brasileiro e um colombiano. Continuo sem saber quem venceu e quem saiu derrotado.

E logo, sem se dar conta, estamos de novo na sala de jantar da Quinta da Ermida e já a conversa vai solta, as gargalhadas mais sonoras, as discussões mais razoáveis e interessantes. O café, na esplanada do bar, continuou a conversa e o ambiente.

Deito-me, apesar de tudo, não muito tarde. Leio A Cidade e as Serras, apenas por um capítulo, fecho os olhos, durmo.

Diário diferido de Tormes.
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retrato do autor enquanto jovem

29 de Julho de 2009

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Da autoria da Patrícia Lino. Já agora, fiquem a conhecer o vídeo de divulgação do novo projecto dela: 40 Dias. 40 Retratos. 40 Noites. 40 Rostos Roubados aqui.

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Ainda sobre as exclamações e os respectivos pontos

28 de Julho de 2009

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O Pedro Vieira ilustrou, como só ele sabe, a questão do ponto de exclamação. Em adenda ao post onde declarei o meu apoio, deixo a ligação para a posição do Francisco José Viegas.

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Da Cidade e das Serras, parte I

27 de Julho de 2009

Tormes. Meca Queirosiana (assim o diz Campos Matos). Parti de Campanhã em nervos, sem saber bem porquê. Talvez porque não soubesse exactamente ao que ia, talvez. O comboio carregado de soldados para a Régua; eu, encolhido a um canto. À minha frente alguém lia um qualquer livro da série Harry Potter – quase me senti mal por estar a ler um escritor tão demodè, tão pouco conhecido, alguém cujos textos só foram passados ao cinema por esse infernal Manoel de Oliveira, um senhor de nome José Maria mas que apenas assinava como Eça de Queiroz. Quase deixo passar a estação, o comboio vai barulhento e não há aviso sonoro. Levanto-me com as malas em rebuliço, eu em rebuliço, precipito-me para a plataforma. Eis-me chegado à Ermida, onde fiquei a dormir durante toda a semana.

Conheço os meus primeiros colegas logo à saída do apeadeiro enquanto esperamos a partida para a Quinta da Ermida. Simpáticos mas ainda sintécticos. Da carrinha somos imediatamente enviados para a sala onde o jantar já está a ser servido para aqueles que, lestos, chegaram mais cedo. Ainda não tenho quarto, mas tenho sopa. E uma cara familiar: o meu único conhecido no curso já lá estava.

Para quem ainda não tinha cama e carregava com sacos, o jantar foi demasiado longo. Já deviam ser perto das vinte e três quando finalmente entro num quarto que chamei meu. Isto para sair quase de imediato: era tempo de travar as primeiras conversas, bem queirosianas, ou não fossem pela madrugada dentro.

Diário diferido de Tormes.
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Agora também no Flickr

27 de Julho de 2009

Agora também estou pelo Flickr. Atenção, tudo muito experimental. Mais do que experimental, ainda em aprendizagem. Sejam brandos.

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Dos pontos de exclamação

27 de Julho de 2009

O Senhor Palomar lançou o repto, o Bibliotecário de Babel adoptou-o e eu subscrevo.

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livros para todo o ano #15

26 de Julho de 2009

Todos os Poemas, Ruy Belo

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nota

26 de Julho de 2009

Amanhã, prometo que amanhã, escrevo sobre Tormes.

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Boas notícias

26 de Julho de 2009

O Henrique Fialho está de volta.

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Lançamento de Lábio Cortado

26 de Julho de 2009

Acaba de ser lançado Lábio Cortado, de Rui Almeida, vencedor do Prémio Manuel Alegre 2008.

Via Porosidade Etérea.

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hoje foi dia de voltar

24 de Julho de 2009

da Fundação Eça de Queiroz. Como se tornou óbvio, o meu acesso à internet era limitado a alguns segundos que pouco mais me permitiram do que consultar o e-mail – e ainda assim, apenas por duas vezes durante a semana. Foi bom. Muito bom. Mais não digo, para já, porque estou exausto. Voltarei ao ritmo normal de publicação em breve – ou assim espero.

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Hoje é dia de sair

19 de Julho de 2009

de casa e partir para Tormes, para a Fundação Eça de Queiroz. Vou tentar, se possível, fazer um pequeno diário do curso. Se não o conseguir, despeço-me até sexta-feira.

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Caminho numa vaga surrealista #2

18 de Julho de 2009

(carregar na imagem para ver o filme).

Un Chien Andalou, Luis Buñuel e Salvador Dalí, 1929

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A esta hora já toda a gente sabe

18 de Julho de 2009

que a Quetzal vai editar 2666, de Roberto Bolaño. De tal forma que já nem sei por onde descobri a notícia primeiro. Mas ao que parece, o primeiro a falar nisso foi o Senhor Palomar, corrijam-me se estiver enganado. E, admito, estou invejoso. Ainda não recebi nenhum mail da Quetzal sobre isto.

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Caminho numa vaga surrealista #1

16 de Julho de 2009

Le Fils de l’homme, René Magritte, 1964

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Sobre a Tradução

16 de Julho de 2009

Francisco Vale (assumo que seja ele, a maioria dos seus textos vêm assinados, este não) reflecte sobre a tradução literária em Portugal. A consultar aqui.

Se ainda não segue o blog da Relógio D’Água, ainda que não seja fã do catálogo, é imperativo que o faça pelas lúcidas considerações do editor. Imperdíveis.

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Lançamentos da Quetzal

16 de Julho de 2009

Perto da Felicidade, de Richard Yates e Balas de Prata, de Élmer Mendoza. Mais informações por aqui.

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livros para todo o ano #14

16 de Julho de 2009

Madame Bovary, Gustave Flaubert

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crises de um leitor compulsivo #2 (mas não tanto assim)

15 de Julho de 2009

Tenho setecentas e trinta páginas (por extenso, para parecerem ainda mais) para ler em quatro dias.