Tormes. Meca Queirosiana (assim o diz Campos Matos). Parti de Campanhã em nervos, sem saber bem porquê. Talvez porque não soubesse exactamente ao que ia, talvez. O comboio carregado de soldados para a Régua; eu, encolhido a um canto. À minha frente alguém lia um qualquer livro da série Harry Potter – quase me senti mal por estar a ler um escritor tão demodè, tão pouco conhecido, alguém cujos textos só foram passados ao cinema por esse infernal Manoel de Oliveira, um senhor de nome José Maria mas que apenas assinava como Eça de Queiroz. Quase deixo passar a estação, o comboio vai barulhento e não há aviso sonoro. Levanto-me com as malas em rebuliço, eu em rebuliço, precipito-me para a plataforma. Eis-me chegado à Ermida, onde fiquei a dormir durante toda a semana.
Conheço os meus primeiros colegas logo à saída do apeadeiro enquanto esperamos a partida para a Quinta da Ermida. Simpáticos mas ainda sintécticos. Da carrinha somos imediatamente enviados para a sala onde o jantar já está a ser servido para aqueles que, lestos, chegaram mais cedo. Ainda não tenho quarto, mas tenho sopa. E uma cara familiar: o meu único conhecido no curso já lá estava.
Para quem ainda não tinha cama e carregava com sacos, o jantar foi demasiado longo. Já deviam ser perto das vinte e três quando finalmente entro num quarto que chamei meu. Isto para sair quase de imediato: era tempo de travar as primeiras conversas, bem queirosianas, ou não fossem pela madrugada dentro.