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Quem tem medo de Virginia Woolf? #2

23 de Fevereiro de 2010

Contudo, não quero ser o primeiro a assumir o fardo de possuir uma vida individual. Eu, desde segunda-feira (o dia em que ela me aceitou), via-me confrontado com um profundo sentimento de identidade, de tal forma que não podia ver a escova de dentes no copo sem dizer “A minha escova de dentes”, não desejo agora outra coisa senão abrir as mãos e deixar cair todos os meus haveres, limitar-me a ficar na rua sem participar, a observar os autocarros, sem sentir quaisquer desejos; sem invejas; apenas com aquilo a que se poderia chamar uma curiosidade ilimitada a respeito do destino humano, e isto se a minha mente ainda tivesse limites. Contudo, já nada possui. Cheguei; fui aceite. Nada peço em troca. (p. 83)

Woolf, Virginia
1931 The Waves; ed. ut.: As Ondas, Lisboa, Público, 2002.

Adolescência: a luta pela identidade que nos permite desaparecer na multidão.

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