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Quem tem medo de Virginia Woolf?

23 de Fevereiro de 2010

Eu tinha, admito-o. Quando era mais novo, talvez por saber que wolf era inglês para lobo e por ouvir insistentemente este título, comecei a desenvolver uma aversão à autora. Mais tarde, no início da adolescência, como muitos dos meus medos infantis, este transformou-se em fascínio e, a partir daí, comecei a estar particularmente consciente de tudo o que rodeava Virginia Woolf. Mais tarde ainda, quando comecei a voltar-me para a literatura e a ler quem era Virginia Woolf, o medo voltou. Há uns dias atrás, larguei o medo. O fascínio voltou.

Sim, tudo é propício. Estou no estado de espírito adequado. Posso escrever de um só fôlego a carta que tantas vezes comecei. Acabei de entrar; deixei cair o chapéu e a bengala; estou a escrever a primeira coisa que me veio à cabeça sem sequer me ter dado ao trabalho de endireitar o papel. Irá transformar-se num esboço brilhante, a respeito do qual ela deverá pensar ter sido escrito sem uma pausa, sem uma emenda. (p. 57)

Woolf, Virginia
1931 The Waves; ed. ut.: As Ondas, Lisboa, Público, 2002.
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