h1

Light of my life, fire of my mind

2 de Abril de 2010

Releio, desta vez no original inglês. A cada palavra, génio. O primeiro capítulo da primeira parte é case in point.

Lolita, light of my life, fire of my loins. My sin, my soul. Lo-lee-ta: the tip of the tongue taking a trip of three steps down the palate to tap, at three, on the teeth. Lo. Lee. Ta.

She was Lo, plain Lo in the morning, standing four feet ten in one sock. She was Lola in slacks. She was Dolly at school. She was Dolores on the dotted line. But in my arms she was always Lolita.

Did she have a precursor? She did, indeed she did. In point of fact, there might have been no Lolita at all had I not loved, one summer, a certain initial girl-child. In a princedom by the sea. Oh when? About as many years before Lolita was born as my age was that summer. You can always count on a murderer for a fancy prose style.

Ladies and gentlemen of the jury, exhibit number one is what the seraphs, the misinformed, simple, noble-winged seraphs, envied. Look at this tangle of thorns.

NABOKOV, Vladimir
1955 Lolita; ed. ut.: London, Penguin, 2000, p. 9.

Impressionante. O rigor e o encanto da aliteração disfarçada. O give and take do perverso Humbert que nos dá, de imediato, o desfecho da narrativa e provas da sua incoerência — ele, que durante toda a vida desprezou psicólogos e psicanalistas, oferece uma explicação baseada na infância para a sua preferência sexual. E a multiplicação de Lolita em múltiplas personagens aos olhos de Humbert (Dolores, Lola, Dolly, Lolita, Lo) que provoca a complexificação de um carácter que nas mãos de um autor menos talentoso se reduziria a um personagem-tipo sem interesse. Lolita é magistral.

Anúncios

5 comentários

  1. Ah, Lolita! Lo-li-ta…


  2. Este é daqueles casos de encontro marcado, ainda que sem data definida. Leitura obrigatória e talvez até antecipada por esta entrada.

    Abraço


  3. Viva Carriço,

    Obrigatória, compulsiva e isso tudo. É urgente ler Lolita. Depois venham essas impressões.

    Um abraço,
    tsg.


  4. Esse livro parou minha vida, desde o momento em que me deparei com o mesmo numa prateleira alta da última estante na biblioteca de meu colégio. Hoje possuo meu próprio exemplar, ed. de 2008, e uma edição recentemente encontrada numa pilha de livros velhos de 1962, se não me engano.
    Vez ou outra leio um capítulo aleatório, e sou capaz de recitar o primeiro capítulo da primeira parte.
    Tanto Lolita como muitos outros títulos provam que gênio como Nabokov nunca mais existirá.

    Abs,

    Dänny.


  5. Aquele primeiro capítulo é algo de único. Está lá o livro todo, todo o génio, toda a alucinante viagem, sem estar lá mais que um rebuçado na boca de HH. Já li duas vezes, uma em português, outra no original inglês. Isto no espaço de (pouco mais de) um ano. Vou reler muitas vezes. Certamente.

    Abraço,
    tsg.



Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: