Archive for the ‘Notas’ Category

h1

Das weisse Band

28 de Julho de 2010

Poster de Das Weiss Band

Demasiado tarde: só agora vi Das weisse Band (The White Ribbon / O Laço Branco) — é inacreditável. Deixo apenas um apontamento: se é certo que é aquela geração de crianças que se vai transformar na geração nazi alemã (abrindo assim a possibilidade de interpretar os acontecimentos do filme como uma possível explicação para o que veio depois), é também certo que tudo se passa antes da I Guerra Mundial, isto é, antes do processo de demonização da Alemanha; ora, será que isto não permitirá descolar o filme da óbvia leitura nazi e fazê-lo crescer noutra direcção?

Anúncios
h1

Sinais de Fogo #12

19 de Maio de 2010

Terminei o grandioso livro. Sem dúvida, assistimos ao desflorar de Jorge. O que fica imperceptível é qual a transformação que nele terá tido maior impacto: a súbita consciência do mundo social (guerra espanhola e a asfixia da ditadura), o encontrar do amor transcendente (com Mercedes), a ligação profunda e confusa desenvolvida com outro ser humano (Luís), a consciência da influência de cada um na vida do outro — ainda que cada um seja, simultaneamente, o único responsável por si próprio (Rodrigues), o desflorar da veia poética; enfim, numa palavra, Sinais de Fogo é a consciencialização de que no man is an island. E, ao mesmo tempo, não é nada disso e é muito mais que isso.

h1

Pensamento diário (ou de sempre que pouso um livro)

12 de Maio de 2010

Parece que só ontem aprendi a ler.

h1

Sinais de Fogo #8

11 de Maio de 2010

Aviso à navegação (isto é, quem não leu e não conhece o enredo de Sinais de Fogo): sempre que falo em Jorge, não me refiro a Jorge de Sena, autor, mas sim a Jorge, narrador autodiegético.

h1

Sinais de Fogo #7

11 de Maio de 2010

Ainda não me referi à Guerra Civil Espanhola. Neste momento, interessa-me só apontar: Jorge é o homem que vai ficar em terra. Não sei que ilação tirar disto, para já.

h1

Sinais de Fogo #6

11 de Maio de 2010

Ainda sobre o primeiro encontro sexual de Mercedes e Jorge — o entusiasmo do narrador deve-se:

a) Hipótese ultra-romântica: ao amor inesgotável que unia os amantes;
b) Hipótese ultra-cínica: a Mercedes ser a noiva de outro homem.

Hipótese mais provável: somewhere in the middle.

h1

Sinais de Fogo #5

10 de Maio de 2010

E, mesmo que soubesse, eu podia sabê-lo, como de tudo, de três maneiras: por me contarem, por eu ter assistido, ou por eu ter participado. Quando não tivesse participado em alguma coisa, mas ouvido ou visto, o que me dissessem, ou o que fizessem diante de mim, seria exactamente a verdade?

SENA, Jorge de
1979 Sinais de Fogo; ed. ut.: Porto, Público, 2003, p. 235-236.

A subjectividade do real é aqui perfeitamente problematizada por Jorge: se não fiz, como posso acreditar naquilo que vi ou ouvi? Os sentidos enganam. Falta-lhe ainda perceber que o real também foge àquilo que se faz: exemplo disso é a orgia de uma das noites anteriores que é sempre recordada como se tivesse sido vivida por outro, esfumada e irreal. O que é o real?