Posts Tagged ‘Eco’

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«a rose / By any other name» #6

17 de Fevereiro de 2010

Nunca duvidei da verdade dos signos, Adso, são a única coisa que o homem dispõe para se orientar no mundo. (p. 465)

ECO, Umberto
1980, Il nome della rosa; ed. ut.: O Nome da Rosa, Lisboa, Público, 2002.

Elogio da indecisão: se o signo é a única coisa que guia o homem, e se o signo é sempre referencial, como é que o homem não há-de estar permanentemente perdido? O desfecho de O Nome da Rosa não é surpreendente, nem teria muito a ganhar com isso. É antes uma homenagem à aleatoriedade. Eco subverteu o código [do género policial] que guiou grande parte do romance, sem o subverter. Brilhante.

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«a rose / By any other name» #5

15 de Fevereiro de 2010

Ainda não terminei O Nome da Rosa (estou em modo de leitura ultra-lento) mas suspeito que Guilherme de Occam – amigo de Guilherme de Baskerville – e a sua navalha vão estar envolvidos no desfecho.

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«a rose / By any other name» #4

13 de Fevereiro de 2010

Dois momentos brilhantes, um pela sua comicidade, outra pelo seu realismo cruel: quando os monges tentam chegar a acordo sobre a pobreza de Cristo, a discussão exalta-se de tal modo que desatam ao soco; a manipulação da linguagem pelo inquisidor e o terror inspirado no acusado pela tortura combinaram para que se encontrasse uma confissão que satisfizesse os juízes – ser falsa ou verdadeira é questão de perspectiva (vide a citação anterior).

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«a rose / By any other name» #3

13 de Fevereiro de 2010

Mas eram tempos em que, para esquecer um mundo mau, os gramáticos se deleitavam com abstrusas questões. Disseram-me, que nessa época, durante quinze dias e quinze noites, os retóricos Gabundus e Terentius discutiram sobre o vocativo de ego, e por fim pegaram em armas. (p. 295)

ECO, Umberto
1980, Il nome della rosa; ed. ut.: O Nome da Rosa, Lisboa, Público, 2002.

It really puts things into perspective, doesn’t it?

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«a rose / By any other name» #2

13 de Fevereiro de 2010

Tenho de pensar nisso. Talvez tenha de ler outros livros.
– Como assim? Para saber o que diz um livro tendes de ler outros?
– Por vezes pode fazer-se assim. Muitas vezes os livros falam de outros livros. Muitas vezes um livro inócuo é como uma semente, que florescerá num livro perigoso, ou inversamente, é o fruto doce de uma raiz amarga. Não poderias, lendo Alberto, saber o que poderia ter dito Tomás? Ou, lendo Tomás, saber o que terá dito Averroes?
– É verdade – disse admirado. Até então tinha pensado que cada livro falava das coisas, humanas ou divinas, que estão fora dos livros. Agora apercebia-me que, não raro, os livros falam dos livros, ou melhor, é como se falassem entre si. À luz desta reflexão, a biblioteca pareceu-me ainda mais inquietante. Era portanto o lugar de um longo e secular sussurro, de um diálogo imperceptível entre pergaminhos e pergaminhos, uma coisa viva, um receptáculo de poderes que uma mente humana não podia dominar, tesouro de segredos emanados de tantas mentes, e sobrevivendo à morte daqueles que os tinham produzido ou deles se tinham feito mensageiros. (p. 269)

ECO, Umberto
1980, Il nome della rosa; ed. ut.: O Nome da Rosa, Lisboa, Público, 2002.

O mistério da intertextualidade. Para o experiente Guilherme, é um dado adquirido, algo de não questionável e quase indigno de reflexão. A intertextualidade de Guilherme é um meio para chegar a uma conclusão. Pelo contrário, para o jovem e inexperiente Adso, o diálogo intertextual apresenta-se como uma espécie de dom mágico que transforma a biblioteca [do mosteiro] num lugar ainda mais mágico e medonho. É o medo do desconhecido e o fascínio que, ao mesmo tempo, se lhe costuma fundir. É, de facto, uma imagem tão bela quanto aterradora que o produto do homem lhe sobreviva, e seja motor de um diálogo activo muito depois da morte do seu criador. O diálogo intertextual é uma forma de imortalidade, para Adso. Para Guilherme é uma fonte de sabedoria. Ambos estão certos. Posso, certamente, encontrar uma dúzia de livros capaz de suportar cada uma das diferentes visões.

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«a rose / By any other name»

10 de Fevereiro de 2010

capa de o nome da rosa, de Umberto Eco

E tudo quanto vi mais tarde na abadia (e de que falarei depois) fez-me pensar que muitas vezes são os inquisidores que criam os hereges. (p. 50)

ECO, Umberto
1980, Il nome della rosa; ed. ut.: O Nome da Rosa, Lisboa, Público, 2002.

Pergunto-me: é preciso acrescentar mais alguma coisa?