Posts Tagged ‘Excerto’

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Ulysses is going to kick some ass…

21 de Setembro de 2009

“[…]
Mas agora é o momento de lhes prepararmos uma refeição,
enquanto ainda há luz; e depois disso o divertimento será
com o canto e com a lira, os melhores companheiros do festim”

Assim falou; e com as sobrancelhas fez um sinal.
Na espada afiada agarrou Telémaco, o filho amado
do divino Ulisses, e pegou na lança. Depois postou-se
junto do trono do pai, armado com o bronze faiscante.

HOMERO
s/d Odisseia; ed. ut. Lisboa, Biblioteca Editores Independentes, trad. Frederico Lourenço, 2008, 350-351.

Impressionante a tensão que um dos primeiros livros da literatura ocidental consegue criar.

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Se Numa Noite de Inverno Um Viajante começa assim

17 de Setembro de 2009

Estás para começar a ler o novo romance Se Numa Noite de Inverno Um Viajante de Italo Calvino.

Acaba assim:

É só mais um instante. Estou mesmo a acabar Se Numa Noite de Inverno Um Viajante de Italo Calvino.

E pelo meio tem shitloads de génio.

CALVINO, Italo
1979 Se una notte d’inverno un viaggiatore; ed. ut.: Se Numa Noite de Inverno Um Viajante, Público, Porto, 2002, 218.

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às vezes fico a pensar que é assim que o gonçalo m. tavares lê os livros que lê

17 de Setembro de 2009

Não se admire de me ver sempre a vaguear com os olhos. De facto é esta a minha maneira de ler, e só assim a leitura me é proveitosa. Se um livro me interessar realmente, não consigo segui-lo mais de poucas linhas porque a minha mente, captando um pensamento que o texto lhe propõe, ou um sentimento, ou uma interrogação, ou uma imagem, faz-lhe uma tangente e salta de pensamento em pensamento, de imagem em imagem, num itinerário de raciocínios e fantasias que precisa de percorrer até ao fim, afastando-me da leitura, e de uma leitura suculenta, embora só consiga ler de cada livro poucas páginas. Mas essas poucas páginas para mim já encerram o universo inteiro, de que não consigo ver o fundo.

CALVINO, Italo
1979 Se una notte d’inverno un viaggiatore; ed. ut.: Se Numa Noite de Inverno Um Viajante, Público, Porto, 2002, 218.