Posts Tagged ‘Luís’

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A não perder

12 de Janeiro de 2011

Apresentação de Poemas com Cinema

 

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À sombra de Quintais #1 e O problema de ser Leal #3

3 de Março de 2010

Ginjal (com Sandra contemplando Lisboa)

Se uma cidade deslizasse pelas águas
nós não saberíamos classificá-la: uma cidade lacustre,
uma cidade movente, uma cidade folha de papel
circulando indecisa e lenta sobre a superfície
líquida de um rio?
Mas daqui, desta distância, o que avistamos
senão o rio que invade as ruas,
todas as ruas de igual modo invadidas pelo seu caudal.
O que avistamos senão o mero exercício retórico de ver,
de olhar sobre a interposta cidade:
uma Lisboa milagrosamente veneziana,
imaginariamente veneziana,
e nós aqui sentados contemplando,
procurando um consenso mínimo,
não sobre respostas que não temos,
mas sobre abundantes perifrásticas interrogações.

QUINTAIS, Luís
1999 «Ginjal (com Sandra contemplando Lisboa)» in Umbria, Guimarães, p. 43.

A cidade líquida

A cidade movia-se como um barco. Não. Talvez o chão se abrisse em algum lado. Não. Era a tontura. A despedida. Não. A cidade talvez fosse de água. Como sobreviver a uma cidade líquida?

(Eu tentava sustentar-me como um barco.)

As aves molhavam-se contra as torres. Tudo evaporava: os sinos, os relógios, os gatos, o solo. Apodreciam os cabelos, o olhar. Havia peixes imóveis na soleira das portas. Sólidos mastros que seguravam as paredes das coisas. Os marinheiros invadiam as tabernas. Riam alto do alto dos navios. Rompiam a entrada dos lugares. As pessoas pescavam dentro de casa. Dormiam em plataformas finíssimas, como jangadas. A náusea e o frio arroxeavam-lhes os lábios. Não viam. Amavam depressa ao entardecer. Era o medo da morte. A cidade parecia de cristal. Movia-se com as marés. Era um espelho de outras cidades costeiras. Quando se aproximava, inundava os edifícios, as ruas. Acrescentava-se ao mundo. Naufragava-o. Os habitantes que a viam aproximar-se ficavam perplexos a olhá-la, a olhar-se. Morriam de vaidade e de falta de ar. Os que eram arrastados agarravam-se ao que restava do interior das casas. Sentiam-se culpados. Temiam o castigo. Tantas vezes desejaram soltar as cordas da cidade. Agora partiam com ela dentro de uma cidade líquida.

(Eu ficara exactamente no lugar de onde saiu.)

LEAL, Filipa
«A cidade líquida» in A Cidade Líquida e Outras Texturas, Porto, Deriva, 2006, p.9.
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reading Ulysses

1 de Outubro de 2009

*Os funerais divertem Bloom: imagina o caixão a saltar da carruagem e a cuspir o corpo do morto para o paralelo; imagina um enterro de um corpo ainda vivo a morrer asfixiado no caixão; imagina o espaço que se pouparia se se enterrassem os corpos na vertical, ponderando, no entanto, o horror de algum deles decidir espreitar para fora da terra. Repenso: divertem não é o termo exacto. Ou melhor, divertem as in despertam-lhe a curiosidade. Homem curioso, este Bloom. Questiona-se quem é o sujeito de Mackintosh. Questiona-se, repentinamente, como seria se todos trocassem de corpos. E educado? Como explicar a impenetrabilidade da sua feição quando alguém condena o suicídio perto dele: “His father poisoned himself, Martin Cunningham whispered” (pág. 127). Conclusão: é preciso enterrar os mortos. Crusoe tinha razão. Afinal todos os Sextas-Feiras enterram as Quintas-feiras.

JOYCE, James
1922 Ulysses; ed. ut.: [s/d], London, Penguin, 2000 [reimpressão], 139.

*Leitura Luís Mourão (ambos – a leitura e o Luís Mourão – bastante admirados).

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agradecimento #8

17 de Agosto de 2009

A propósito desta crítica, António Luís Catarino diz algo que me enche de orgulho.

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Caminho numa vaga surrealista #2

18 de Julho de 2009

(carregar na imagem para ver o filme).

Un Chien Andalou, Luis Buñuel e Salvador Dalí, 1929

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Ainda sobre os 30 anos da Antígona

8 de Julho de 2009

Ler aqui a entrevista de Luís Oliveira.

Dica do Porosidade Etérea.

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livros para todo o ano #11

7 de Julho de 2009

Ficciones, Jorge Luis Borges

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