Posts Tagged ‘Narrador’

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Sinais de Fogo #8

11 de Maio de 2010

Aviso à navegação (isto é, quem não leu e não conhece o enredo de Sinais de Fogo): sempre que falo em Jorge, não me refiro a Jorge de Sena, autor, mas sim a Jorge, narrador autodiegético.

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Sinais de Fogo #5

10 de Maio de 2010

E, mesmo que soubesse, eu podia sabê-lo, como de tudo, de três maneiras: por me contarem, por eu ter assistido, ou por eu ter participado. Quando não tivesse participado em alguma coisa, mas ouvido ou visto, o que me dissessem, ou o que fizessem diante de mim, seria exactamente a verdade?

SENA, Jorge de
1979 Sinais de Fogo; ed. ut.: Porto, Público, 2003, p. 235-236.

A subjectividade do real é aqui perfeitamente problematizada por Jorge: se não fiz, como posso acreditar naquilo que vi ou ouvi? Os sentidos enganam. Falta-lhe ainda perceber que o real também foge àquilo que se faz: exemplo disso é a orgia de uma das noites anteriores que é sempre recordada como se tivesse sido vivida por outro, esfumada e irreal. O que é o real?

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10 narradores pouco confiáveis

17 de Fevereiro de 2010

Numa selecção de Henry Sutton aqui. Devo confessar que também tenho um fraquinho pelos narradores mentirosos.

Via Reading Copy Book Blog.

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A Conspiração #3

9 de Fevereiro de 2010

Escrever textos críticos sérios é um trabalho ingrato. Fico sempre com a sensação que havia mais a dizer. O trágico é que há sempre mais a dizer. O exemplo acima é case in point: acabei agora o texto, que vai ser em breve publicado no Rascunho, sobre A Conspiração Contra América, de Philip Roth, e nada disse sobre a posição conservadora do narrador. Talvez seja o meu vício de estar sempre à procura da inovação, mas uma memória linear em analepse aborrece um bocadinho. Por outro lado, uma memória nunca é linear, ainda que tal aparente: nesse ponto de vista, talvez a narração de Philip não possa ser vista como uma narração fidedigna, o que imediatamente a coloca numa perspectiva completamente diferente. Regra de ouro: nunca confiar nos narradores. Adoro o limbo.