05
Nov
09

Fifth of November

Remember remember the fifth of November
Gunpowder, treason and plot.
I see no reason why gunpowder, treason
Should ever be forgot…

Rima popular inglesa.

31
Out
09

em 1983 morreu uma ana

que me diz muito. A 29 de Outubro de 1983, Ana Cristina César suicida-se. Já foi há mais de 26 anos. E eu que queria tanto

Um Beijo

que tivesse um blue.
Isto é
imitasse feliz
a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso
do prazer
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água
sem gás
de decolagem:
leitor ensurdecido
talvez embevecido
“ao sucesso”
diria meu censor
“à escuta”
diria meu amor
sempre em blue
mas era um blue
feliz
indagando só
“what’s new”
uma questão
matriz
desenhada a giz
entre um beijo
e a renúncia intuída
de outro beijo.

CÉSAR, Ana Cristina

s/d “Um Beijo” in Ana Cristina César. Inéditos e Dispersos, Armando Freitas Filho [org.], 2ª Ed., São Paulo, Editora Ática, 1999, 151-152.

31
Out
09

Um Poeta no Sapato

A última Quinta de Leitura foi brilhante. Fica um dos poemas que, como dito, brilhou na noite, de A. Pedro Ribeiro.

E cá está o poeta de café, só, diante da folha que já não é branca. E cá está o poeta a olhar, a ver se gajas que o entusiasmem, que o façam cavalgar. As gajas boas são as musas que lhe dão tesão, que o fazem sair da letargia. Mesmo que nunca as conheça, que nunca fale com elas, o poeta depende das gajas. São elas que se insinuam, são elas as ancas que gingam, são elas as mamas que abanam. O poeta sem as gajas não é nada. O poeta não cria, o poeta não escreve, o poeta não vibra sem as gajas. O poeta pensa no assunto e bebe. Bebe cada vez mais, fino após fino mas as gajas boas não aparecem. Só entram gajas feias e engravatados. O poeta aborrece-se e bebe. Bebe, bebe, bebe, até que rebenta.
- A culpa é vossa, gajas boas,
só aparecestes agora que o poeta está rebentado, feito em pedaços
olhai que perda para a Humanidade
olhai que se tivesses aparecido a tempo
o poeta teria escrito a obra imortal
de agora em diante ide, ide pelos campos
à procura dos poetas
ide dar-lhes de comer e de beber
a vida dos poetas está na vossa mão
e nas vossas mamas
e na vossa pássara
sede dignas dos poetas, ò gajas boas.

 

 

31
Out
09

Crítica às críticas

Acabei de escrever um texto crítico ao livro de Miguel-Manso, Contra a Manhã Burra, que teve de ser assustadoramente castrado pelo maldito limite de caracteres. Estou revoltado.

30
Out
09

apresentação de se fosse um intervalo, de ana luísa amaral

Na quarta-feira passada, num auditório gigante e cheio, foi assim.

Estas fotos estão, em tamanho maior, no meu flickr.

(E agora quem é que me vai oferecer este livro?)

20
Out
09

Quasi falência

Uma das piores notícias dos últimos dias: as Quasi estão em processo de falência. Como disse o José Mário Silva, tinham uma excelente colecção de poesia brasileira (ele esqueceu-se, espero eu, de falar da Ana Cristina César), uma boa colecção de Ensaios (Fernando Guimarães, Pedro Eiras) mas, acima de tudo, não tinham medo de apostar em novos autores. Foram as Quasi que me mostraram, por exemplo, o Vasco Gato (que, todavia, publicou um livro na Assírio), o Jorge Melícias, o Tiago Araújo, o Rui Lage, o Nuno Rocha Morais. Editaram a obra completa do Daniel Faria, e isso desculpa todos os erros. Nestes tempos certamente difíceis, deixo um abraço ao Jorge Reis-Sá.

Via Bibliotecário de Babel e Blogtailors.

19
Out
09

Não sabia que a Poetria tinha blog

Mas tem, aqui. E também tem twitter, aqui. É visitar, seguir e comprar (na Poetria, claro).

15
Out
09

Reading Ulysses

The Oxen of the Sun: Um dos mais difíceis capítulos que alguma vez li. Em resumo: one bad-ass chapter.

08
Out
09

Reading Ulysses [on pause]

Hoje não li Ulysses. O pouco tempo que tive livre, estive a trabalhar sobre Sylvia Plath. Amanhã há mais.

08
Out
09

Herta Müller

Não me venham com coisas: desta ninguém estava à espera.

08
Out
09

Reading Ulysses

Curioso: Gerty MacDowell olhava para Bloom e via nele o esposo perfeito – que Bloom não é -  para o casamento perfeito – que Bloom não tem; por outro lado, Bloom, qual Ulisses, olhava para Gerty, qual Nausicaa, e não via pureza, virtude, virgindade, mas sim desejo e luxúria – masturbava-se.

(E o relógio que parou na hora em que Molly traiu Bloom?)

07
Out
09

Reading Ulysses

A partir das 23h, a noite é sempre Joyceana.

07
Out
09

Reading Ulysses

No capítulo ligado a Polifemo, o ambiente do bar é nacionalista, ferverosamente fenício, violentamente xenófobo, racista e homofóbico. Bloom não é fenício (embora, questionado, se diga Irlandês), é judeu, de descendência húngara e, além disto, apresenta traços de androginia comportamental. Óptimas razões para se criar um ambiente hostil a Bloom (ele, aliás, sai assim que começa a sentir-se ameaçado). Razões que não são mais que desculpas. Sabe-se perfeitamente porque é que odeiam Bloom:

The chaste spouse of Leopold is she: Marion of the bountiful bosoms.

JOYCE, James
1922 Ulysses; ed. ut.: [s/d], London, Penguin, 2000 [reimpressão], 414.
06
Out
09

Reading Ulysses

Deaf, bothered. But perhaps he has a wife and family waiting, waiting Patty come home. Hee hee hee hee. Deaf wait while they wait.

[...]

By deaf Pat in the doorway, straining ear, Bloom passed.

JOYCE, James
1922 Ulysses; ed. ut.: [s/d], London, Penguin, 2000 [reimpressão], 365-370.

Preconceito: Ulysses é Bloom. Facto: Pat, o empregado da sala de concertos é, afinal, aquele que é surdo ao canto das sereias. O que quer isto dizer? Bloom deixou-se seduzir. Bloom, Henry Flower, deixou-se seduzir, Martha Clifford’s to blame. Outra hipótese: Bloom deixou-se seduzir: Dedalus et alli to blame. Terceira hipótese: Bloom é superior a Ulysses – ouviu o canto das sereias e não se tentou. Quinta hipótese: Bloom amarrou-se a Pat, the waiter, waiting while he waits, como símbolo de virtude (afinal Pat, o empregado surdo, deve ter em casa uma família também waiting while he waits). Hipótese quinta: hipóteses infinitas. Sensata, sexta e final hipótese: esquecer Bloom, deixar-se levar no suave ritmo do inglês com Irish accent.

06
Out
09

Correcção

Apenas uma nota a este post do Senhor Palomar: não faço lobby por Roth. A criar pressão por algum dos nobilizáveis seria, certamente, por Pynchon, que me é mais familiar. A minha aposta é somente racional. Roth é muito mais consensual do que Pynchon. Que o digam o Hélder Beja e o Pedro Vieira, o Rogério Casanova e eu próprio.

05
Out
09

Está quase na hora do Nobel

E eu aposto que vai ser o ano em que a academia se vai virar para os EUA. Provavelmente Roth.

03
Out
09

Reading Ulysses

One born every second somewhere. Other dying every second. Since I fed the birds five minutes. Three hundred kicked the bucket. Other three hundred born, washing the blood off, all are washed in the blood of the lamb, bawling maaaaaa.

JOYCE, James
1922 Ulysses; ed. ut.: [s/d], London, Penguin, 2000 [reimpressão], 208.
03
Out
09

Reading Ulysses (ou os livros que perturbam o sono)

Ontem sonhei que adoptava um gato a que chamava James Joyce. Hoje, discutia com alguém a necessidade de uma standardização Joyceana.

02
Out
09

Ainda não acredito

que acabei de comprar as obras completas de Shakspeare por 12 – leram bem, doze – euros.

pechinchas

pechinchas2

Ainda pensei que fosse um erro de marcação. Mas não. Está aqui o mesmo preço, on-line.

Adenda: também comprei as novas tradução de Crime e Castigo, de Dostoievsky, publicada pela Relógio D’Água, e de Os Cantos de Maldoror, de Lautréamont, publicada pela Antígona (numa belíssima edição) – ambos a um preço, digamos, normal (que é como quem diz demasiado caro para a minha bolsa).

02
Out
09

Oferta de emprego

Que vontade terrível de me candidatar a isto.




No twitter