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«a rose / By any other name»

10 10UTC Fevereiro 10UTC 2010

capa de o nome da rosa, de Umberto Eco

E tudo quanto vi mais tarde na abadia (e de que falarei depois) fez-me pensar que muitas vezes são os inquisidores que criam os hereges. (p. 50)

ECO, Umberto
1980, Il nome della rosa; ed. ut.: O Nome da Rosa, Lisboa, Público, 2002.

Pergunto-me: é preciso acrescentar mais alguma coisa?

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A Conspiração #3

9 09UTC Fevereiro 09UTC 2010

Escrever textos críticos sérios é um trabalho ingrato. Fico sempre com a sensação que havia mais a dizer. O trágico é que há sempre mais a dizer. O exemplo acima é case in point: acabei agora o texto, que vai ser em breve publicado no Rascunho, sobre A Conspiração Contra América, de Philip Roth, e nada disse sobre a posição conservadora do narrador. Talvez seja o meu vício de estar sempre à procura da inovação, mas uma memória linear em analepse aborrece um bocadinho. Por outro lado, uma memória nunca é linear, ainda que tal aparente: nesse ponto de vista, talvez a narração de Philip não possa ser vista como uma narração fidedigna, o que imediatamente a coloca numa perspectiva completamente diferente. Regra de ouro: nunca confiar nos narradores. Adoro o limbo.

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O problema de ser Leal

9 09UTC Fevereiro 09UTC 2010

O lugar do tempo

Era uma cidade cidade,
sem vícios e sem sonhos.

Cidade descarnada:
só prédios e livros sem ninguém.

Era uma cidade de
algumas ruas, algumas estátuas,
alguns jardins, alguns amores
perfeitos
na coerência do seu abandono.

Cidade sem memória.
Cidade sem perda.
Cidade antes ou depois.

LEAL, Filipa
«O lugar do tempo» in A Cidade Líquida e Outras Texturas, Porto, Deriva, 2006, p.34.
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Bem-vindos ao L[s]C 2.0

9 09UTC Fevereiro 09UTC 2010

Espero que gostem.

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A Conspiração #2

9 09UTC Fevereiro 09UTC 2010

Crianças imperfeitas ou como a inocência pode ser cruel.

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A conspiração

9 09UTC Fevereiro 09UTC 2010

O mais retorcido caminho para a segregação é a integração. Foi isso que o gabinete de Lindbergh fez: incluir os excluídos para tornar clara a diferença. Usar crianças para o fazer foi um toque de génio cruel.

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sinais de amadurecimento intelectual

8 08UTC Fevereiro 08UTC 2010

Quando vi Match Point, de Woody Allen, pela primeira vez há cinco anos atrás, fiquei completamente absorvido pelos belíssimos seios de Scarlett Johansson. Quando o revi na semana passada, fiquei completamente absorvido pelos pontos de contacto com Crime e Castigo, de Dostoievski; Scarlett limitou-se a ser eye candy.

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Tomorrow, and tomorrow, and tomorrow

8 08UTC Fevereiro 08UTC 2010

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Crítica no Rascunho

8 08UTC Fevereiro 08UTC 2010

Um Punhado de Terra, de Pedro Eiras.

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Tenho uma confissão a fazer

8 08UTC Fevereiro 08UTC 2010

Deixei o Ulysses a meio. Na página 574 de 933, para ser exacto. Segredei-lhe: deixa vir o verão que tu vais ver.

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Perdoem-me o silêncio, caros senhores,

8 08UTC Fevereiro 08UTC 2010

mas o trabalho dos últimos meses foi intenso. Se ainda estiver alguém desse lado, e interessado, não o aborreço com relatos do comum trabalho académico. Opto por o definir numa palavra: exaustivo. A única coisa que consegui ler, no pouco tempo vago que me sobrou, valeu por ser uma obra-prima e, provavelmente, um dos livros da minha vida: Crime e Castigo, de Fiódor Dostoievski (trad. António Pescada, Relógio D’Água). E que livro. No fim de contas, o silêncio acabou por cair bem, não saberia o que dizer perante Raskolnikov. Na noite de sexta-feira reli, de dois fôlegos, A Metamorfose. Agora, estou na companhia de Philip Roth em A Conspiração contra a América. Este espaço vai-se afastar do alvo da objectividade crítica com que o iniciei há quase ano e meio atrás e vai estar cada vez mais subjogado ao subjectivo leitor que sou. A reflexão crítica imparcial, não-impressionista, ponderada, vai estar no sítio devido. A partir de agora, por aqui, os latidos a sangue quente vão reinar. E eu prometo, prometo, que vou manter uma actividade regular. Até à altura em que, novamente, não a consiga manter.

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Fifth of November

5 05UTC Novembro 05UTC 2009

Remember remember the fifth of November
Gunpowder, treason and plot.
I see no reason why gunpowder, treason
Should ever be forgot…

Rima popular inglesa.

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em 1983 morreu uma ana

31 31UTC Outubro 31UTC 2009

que me diz muito. A 29 de Outubro de 1983, Ana Cristina César suicida-se. Já foi há mais de 26 anos. E eu que queria tanto

Um Beijo

que tivesse um blue.
Isto é
imitasse feliz
a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso
do prazer
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água
sem gás
de decolagem:
leitor ensurdecido
talvez embevecido
“ao sucesso”
diria meu censor
“à escuta”
diria meu amor
sempre em blue
mas era um blue
feliz
indagando só
“what’s new”
uma questão
matriz
desenhada a giz
entre um beijo
e a renúncia intuída
de outro beijo.

CÉSAR, Ana Cristina

s/d “Um Beijo” in Ana Cristina César. Inéditos e Dispersos, Armando Freitas Filho [org.], 2ª Ed., São Paulo, Editora Ática, 1999, 151-152.

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Um Poeta no Sapato

31 31UTC Outubro 31UTC 2009

A última Quinta de Leitura foi brilhante. Fica um dos poemas que, como dito, brilhou na noite, de A. Pedro Ribeiro.

E cá está o poeta de café, só, diante da folha que já não é branca. E cá está o poeta a olhar, a ver se gajas que o entusiasmem, que o façam cavalgar. As gajas boas são as musas que lhe dão tesão, que o fazem sair da letargia. Mesmo que nunca as conheça, que nunca fale com elas, o poeta depende das gajas. São elas que se insinuam, são elas as ancas que gingam, são elas as mamas que abanam. O poeta sem as gajas não é nada. O poeta não cria, o poeta não escreve, o poeta não vibra sem as gajas. O poeta pensa no assunto e bebe. Bebe cada vez mais, fino após fino mas as gajas boas não aparecem. Só entram gajas feias e engravatados. O poeta aborrece-se e bebe. Bebe, bebe, bebe, até que rebenta.
- A culpa é vossa, gajas boas,
só aparecestes agora que o poeta está rebentado, feito em pedaços
olhai que perda para a Humanidade
olhai que se tivesses aparecido a tempo
o poeta teria escrito a obra imortal
de agora em diante ide, ide pelos campos
à procura dos poetas
ide dar-lhes de comer e de beber
a vida dos poetas está na vossa mão
e nas vossas mamas
e na vossa pássara
sede dignas dos poetas, ò gajas boas.

 

 

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Crítica às críticas

31 31UTC Outubro 31UTC 2009

Acabei de escrever um texto crítico ao livro de Miguel-Manso, Contra a Manhã Burra, que teve de ser assustadoramente castrado pelo maldito limite de caracteres. Estou revoltado.

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apresentação de se fosse um intervalo, de ana luísa amaral

30 30UTC Outubro 30UTC 2009

Na quarta-feira passada, num auditório gigante e cheio, foi assim.

Estas fotos estão, em tamanho maior, no meu flickr.

(E agora quem é que me vai oferecer este livro?)

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Quasi falência

20 20UTC Outubro 20UTC 2009

Uma das piores notícias dos últimos dias: as Quasi estão em processo de falência. Como disse o José Mário Silva, tinham uma excelente colecção de poesia brasileira (ele esqueceu-se, espero eu, de falar da Ana Cristina César), uma boa colecção de Ensaios (Fernando Guimarães, Pedro Eiras) mas, acima de tudo, não tinham medo de apostar em novos autores. Foram as Quasi que me mostraram, por exemplo, o Vasco Gato (que, todavia, publicou um livro na Assírio), o Jorge Melícias, o Tiago Araújo, o Rui Lage, o Nuno Rocha Morais. Editaram a obra completa do Daniel Faria, e isso desculpa todos os erros. Nestes tempos certamente difíceis, deixo um abraço ao Jorge Reis-Sá.

Via Bibliotecário de Babel e Blogtailors.

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Não sabia que a Poetria tinha blog

19 19UTC Outubro 19UTC 2009

Mas tem, aqui. E também tem twitter, aqui. É visitar, seguir e comprar (na Poetria, claro).

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Reading Ulysses

15 15UTC Outubro 15UTC 2009

The Oxen of the Sun: Um dos mais difíceis capítulos que alguma vez li. Em resumo: one bad-ass chapter.

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Reading Ulysses [on pause]

8 08UTC Outubro 08UTC 2009

Hoje não li Ulysses. O pouco tempo que tive livre, estive a trabalhar sobre Sylvia Plath. Amanhã há mais.